A todas essas mulheres que um dia me disseram que me amavam como uma filha.
Sabe, eu sei que existem pessoas que inspiram
nosso lado mais doce, disponível e maternal.
Também existem aquelas pessoas com as quais
você se identifica, mas são tão mais jovens que você, que poderiam ser seus
filhos.
E então, você diz algumas dessas frases “Você
sabe que eu te amo como se fosse meu filho” “Você pode me ver como mãe” “Eu sou
como uma mãe pra você” “Você é como a filha que eu nunca tive” ou inúmeras
outras variações. Esse reconhecimento, especialmente se mútuo, é um desses
encontros mágicos e inesperados da vida...
Mas cuidado...
Cuidado se a pessoa que você vê como um filho
for órfão, ou se por algum motivo diverso, foi abandonado por sua mãe ou não
teve a figura materna presente em sua vida. Cuidado...
Porque essa pessoa traz dentro de si um vazio
que você jamais seria capaz de mensurar, atenuar a falta, e muito menos,
curar...
Você não pode dar a ela as tranças que não
foram feitas, os cafés das manhãs, o consolo depois de uma briga com a melhor
amiga na escola. Você nunca poderá dar o leite quente antes de dormir, o beijo
na testa que ela nunca recebeu, nem a certeza de que sua mãe saberia o que
fazer. Você não pode dar os colos, as broncas, o abraço acolhedor, nem saber
qual era o desenho que ela via inúmeras vezes e assistirem juntos. Você nunca
nunca nunca poderá vesti-la com um vestido cor-de-rosa e laços no cabelo...mas
tem uma coisa que você pode dar...e por ter esse vazio tão imenso, por ter essa
chaga sempre sangrando dentro de si, essa pessoa vai acreditar em você.
Você pode dar esperança...
Acredito que essa falta seja uma dor que fica
latejando para todo o sempre...confie em mim, ela não precisa de mais um
abandono. E nem de outro, e nem de outro...
E eu sei, as pessoas mudam, brigam, tem
opiniões diversas, seguem caminhos diferentes, se separam, tem outras
prioridades na vida, e por isso talvez a relação que vocês mantenham hoje não
exista mais daqui a poucos anos...
Mas se você sabe disso, se você tem alguma
tendência, qualquer tendência, a ter relacionamentos efêmeros, sentimentos
volúveis, ou se seu amor esta condicionado a algum fator determinante de
diferença entre vocês...por favor, pode até se aproximar, ser amigo dessa
pessoa, mas nunca, nunca lhe diga, que ela poderia ve-la como uma Mãe...
Porque você vai embora um dia, e a vida vai
seguir seu curso sem maiores problemas. Ela também passará bem, você sabe, é
tão forte, bonita, inteligente e determinada...Mas você tem ideia de como seu
coração esta em pedaços? De como ela gostaria de apenas chorar. De como isso
abre velhas feridas...? De como ela gostaria de voltar no tempo e ninar aquela
garotinha que nunca , nunca na vida soube o que era ser acolhida?
Nesse caso em específico, tome a máxima do
Pequeno Príncipe: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que
cativas...
É preferível deixa-la em silêncio em seu canto,
onde você a encontrou no começo, suspirar fundo e seguir adiante...do que ser
tão cruel e faze-la reviver essa dor.




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