quarta-feira, 9 de maio de 2012

"Eu te amo como se fosse minha filha..."




A todas essas mulheres que um dia me disseram que me amavam como uma filha. 



 Sabe, eu sei que existem pessoas que inspiram nosso lado mais doce, disponível e maternal.
Também existem aquelas pessoas com as quais você se identifica, mas são tão mais jovens que você, que poderiam ser seus filhos.
E então, você diz algumas dessas frases “Você sabe que eu te amo como se fosse meu filho” “Você pode me ver como mãe” “Eu sou como uma mãe pra você” “Você é como a filha que eu nunca tive” ou inúmeras outras variações. Esse reconhecimento, especialmente se mútuo, é um desses encontros mágicos e inesperados da vida...
Mas cuidado...


Cuidado se a pessoa que você vê como um filho for órfão, ou se por algum motivo diverso, foi abandonado por sua mãe ou não teve a figura materna presente em sua vida. Cuidado...
Porque essa pessoa traz dentro de si um vazio que você jamais seria capaz de mensurar, atenuar a falta, e muito menos, curar...
Você não pode dar a ela as tranças que não foram feitas, os cafés das manhãs, o consolo depois de uma briga com a melhor amiga na escola. Você nunca poderá dar o leite quente antes de dormir, o beijo na testa que ela nunca recebeu, nem a certeza de que sua mãe saberia o que fazer. Você não pode dar os colos, as broncas, o abraço acolhedor, nem saber qual era o desenho que ela via inúmeras vezes e assistirem juntos. Você nunca nunca nunca poderá vesti-la com um vestido cor-de-rosa e laços no cabelo...mas tem uma coisa que você pode dar...e por ter esse vazio tão imenso, por ter essa chaga sempre sangrando dentro de si, essa pessoa vai acreditar em você.
Você pode dar esperança...


Acredito que essa falta seja uma dor que fica latejando para todo o sempre...confie em mim, ela não precisa de mais um abandono. E nem de outro, e nem de outro...
E eu sei, as pessoas mudam, brigam, tem opiniões diversas, seguem caminhos diferentes, se separam, tem outras prioridades na vida, e por isso talvez a relação que vocês mantenham hoje não exista mais daqui a poucos anos...
Mas se você sabe disso, se você tem alguma tendência, qualquer tendência, a ter relacionamentos efêmeros, sentimentos volúveis, ou se seu amor esta condicionado a algum fator determinante de diferença entre vocês...por favor, pode até se aproximar, ser amigo dessa pessoa, mas nunca, nunca lhe diga, que ela poderia ve-la como uma Mãe...

Porque você vai embora um dia, e a vida vai seguir seu curso sem maiores problemas. Ela também passará bem, você sabe, é tão forte, bonita, inteligente e determinada...Mas você tem ideia de como seu coração esta em pedaços? De como ela gostaria de apenas chorar. De como isso abre velhas feridas...? De como ela gostaria de voltar no tempo e ninar aquela garotinha que nunca , nunca na vida soube o que era ser acolhida?
Nesse caso em específico, tome a máxima do Pequeno Príncipe: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...
É preferível deixa-la em silêncio em seu canto, onde você a encontrou no começo, suspirar fundo e seguir adiante...do que ser tão cruel e faze-la reviver essa dor.




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