sábado, 29 de dezembro de 2012

Um Novo Ano inteirinho de possibilidades...



Sentir a conexão com a Deusa em cada um dos meus passos.
Honra-La em todas as suas faces que se mostrarem a mim, honrar meu corpo, meus ciclos, honrar a Terra. Honrar minhas irmãs, ser seu Instrumento para o redespertar de uma nova consciência.

Cuidar da minha saúde, cuidar da alimentação, não tomar mais medicamentos alopáticos desnecessários, regularizar meu ciclo, pesquisar métodos contraceptivos naturais, usar bioabsorventes.

Amar muito o Julio. :) Que nossa relação continue envolta em riso, cumplicidade, partilha de sonhos e projetos, respeito e paixão. 

Me exercitar

Ler todos os livros da minha meta de leitura e alguns outros mais.

Voltar a escrever

Cuidar direitinho da minha casa, do meu corpo e das pessoas que eu amo, pois todos são meus templos.

Aprender danças circulares

Meditar

Elaborar meu projeto para trabalhar com mulheres e colocar em prática.

Arrumar um emprego na área social, que me permita ser humana e ética. 

Se o item anterior for cumprido, iniciar uma pós graduação em Jung e Mitologia. 

Reestruturar meu altar e minha vivência espiritual.

Conhecer as meninas do grupo

Fazer parte de um círculo de mulheres.

Re-encontrar minha tribo.

Estar mais próxima dos meus ancestrais.

Arrumar um jeito de, de tempos em tempos, retornar ao mar.

Estar mais próxima de todos os meus amigos-irmãos. Ser presente na vida do Paulinho. E na vida da Larissa e da Isabelle...

Estar mais próxima do meu Pai. Fazer com que ele saiba que eu o amo mais que tudo no mundo, que sua influência na minha vida foi absolutamente determinante pra que hoje eu seja um ser humano livre.

Estar aberta e receptiva a novas amizades.

Me livrar da influência de tudo aquilo que é demasiadamente pesado, desnecessário, coisas e pessoas que não me acrescentam e ainda me sugam as energias

Não guardar absolutamente NADA que não me sirva mais, nem aos meus valores, nem aos meus propósitos.

Recortes


Outro dia uma amiga me disse que não entendia essa minha necessidade de estar entre mulheres.

Ela usou bem as palavras, é mesmo uma necessidade. Pra mim não é apenas importante, é uma necessidade vital estar entre mulheres. É primal, urgente, instintivo. Essa nossa mágica capacidade de nutrir e acolher, usada entre nós, a nosso favor, como irmãs que somos.
Curarmos e nos nutrirmos mutuamente. Resgatarmos nosso elo e nossa sabedoria perdida, esquecida, negligenciada, oprimida por tantos milênios de patriarcado.



Essa madrugada estava lendo “A tecelã: ensaios sobre a psicologia feminina extraídos dos diários de uma Analista Junguiana” e em um determinado capítulo ela fala justamente sobre isso:

“Devido a supervalorização cultural do masculino e à desvalorização do feminino, as mulheres frequentemente ficam desapontadas e são magoadas por mães que não puderam ou não quiseram amá-las, assim como podiam amar inteiramente a si próprias. Naturalmente, essas jovens mulheres se voltaram, famintas de amor, para os pais. E mais tarde, para os amigos e maridos, de modo excessivamente compensatório. Os romances dos anos 50 (...) detalham a intensa busca que as mulheres empreenderam em direção ao amor e à aceitação dos homens. As meninas crescem esperando amar, casar-se e viver felizes para sempre e nós, com certeza, tentamos fazer exatamente isso.


(...)

A amizade entre as mulheres cresceu. Ela sempre existiu, subterrânea, mas agora é posta para fora e esta aberta e conscientemente valorizada. Muitas mulheres sabem disso e confiam umas nas outras o suficiente para dizer ‘você me magoou quando...’ ou para perguntar ‘o que você quis dizer com...’ e dizer ‘estou zangada com...’ ou ‘preciso da sua ajuda para...’ ou ‘estou preocupada com...’ ou ‘estou confusa ou vulnerável’. Elas sabem que todas essas são expressões mágicas para apelar para as deusas em suas modalidades clara e escura, negativa e positiva, elementar e transformadora. Minha amiga, uma analista junguiana, tornou isso claro pra mim uma vez, ao me contar a imagem daquilo que fazíamos juntas e com nossas pacientes. Ela disse que a transferência entre as mulheres acontece quando duas de nós damos as mãos e dançamos como louca em volta de um caldeirão. Não foi exatamente isso que ela disse, mas acho que você vai compreender e aceitar o fato de eu não citá-la corretamente e dizer, em vez disso, o que eu ouvi. Isso faz parte do processo entre mulheres e irmãs. Há espaço para fundir e obscurecer os limites, agora que cada uma de nós pode manter o seu próprio centro.

Como as mulheres agora podem começar a aceitar sua irmandade subjacente e sua conexão com o Self Feminino, também podem lutar junto com uma amiga e retirar a própria sombra do processo.  As mulheres podem confiar umas nas outras e em si mesmas o bastante para mostrar suas necessidades e suas vulnerabilidades a outras mulheres e ser espelhadas e alimentadas umas pelas outras.”
Eu diria também: a curarem e serem curadas umas com as outras, nutrirem e serem nutridas...
Como a Drª Clarissa Pinkola Estés tão bem fala em seu livro Ciranda das Mulheres Sábias:


"Comadre – Em espanhol, esse termo significa algo semelhante a ‘eu sou sua mãe e ao mesmo tempo você é minha mãe’. É uma palavra usada para descrever a relação íntima entre mulheres que cuidam uma da outra, que dão ouvidos e ensinam uma à outra, de uma forma na qual a alma está sempre incluída; às vezes ela é o assunto da conversa, e às vezes é com ela diretamente que se fala.


(...)

Elas se abrilhantam e se protegem mutuamente, confiam uma na outra, consolam e orientam uma à outra no que diz respeito a tantos aspectos da vida - a vida do coração, a secreta vida interior e a vida dos seus sonhos...Seja em épocas de risadas estridentes, de tristeza atordoante, na crítica ao deslize mais recente, ao presenciar novos lançamentos ao mar aberto...(...) Todas as comadres se empenham para viver sob o abrigo umas das outras. Entre mulheres, esse é um esforço abençoado."

É por isso que eu preciso estar entre mulheres...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A mãe Hera


“A analista Junguiana Marion Woodman, em seu importante livro Addiction to Perfection, efetuou um estudo psicológico dessas relações destrutivas entre mãe e filha, particularmente quando se manifestam como anorexia nervosa e obesidade. Ela acertadamente considera o excesso e a insuficiência de peso sintomáticos de uma profunda chaga no que se refere à verdadeira maternidade – e que aqui chamaríamos de ausência de acalento demétrico. Escrito basicamente na perspectiva das filhas de mães-Hera, este livro é extremamente valioso para nos ajudar a entender como a vida de tantas mulheres é dirigida, quase ao ponto da possessão, por imagens maternas cheias de mágoa dentro de si.

O problema, de acordo com Woodman, é que as mães que chamamos de Heras frustradas, foram elas próprias malcuidadas por suas mães, que por sua vez foram criadas pelas mães delas, e assim sucessivamente, há várias gerações – possivelmente desde a Revolução Industrial, que tanto alienou as mulheres da terra e dos ciclos da terra. Dessa forma, mais recentemente, em vez de uma maternidade autêntica, essas mães passaram inconscientemente a transmitir para suas filhas um conjunto de normas perfeccionistas e expectativas irreais em relação às metas e ao sucesso da vida que tem pouco ou nada que ver com a descoberta da natureza feminina individual de cada uma – que poderia ser qualquer um dos arquétipos das Deusas. O que é mais trágico, essas filhas foram abandonadas para lutarem sozinhas com a profunda dor inconfessa que provém de terem sido arrancadas de sua feminilidade própria.”

A Deusa Interior – Hera.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

5 coisas pelas quais sou grata!


Porque hoje eu estava naquela vibe sem energia, e então coloquei uma musica ritualistica, e enquanto cantava e dançava, limpei a casa inteira, joguei tudo que era lixo fora, limpei armários e geladeiras, quarto e banheiro. E por fim, tomei um banho de sal grosso e saí muito leve. Quando meu amor chegou, a musica ainda rolava, ele cantou e dançou comigo...
Inspirado no 365 ideias pra viver melhor: 5 coisas pelas quais sou grata!
Sou grata por ter o namorado mais lindo, mais carinhoso, mais presente, mais especial e mais incrível do mundo. Por nossas bobeirices de todos os dias que nos fazem rir tanto, pelo abraço onde me sinto em paz e segura. Pela nossa cumplicidade única. Pela sua visão sempre sensata e sempre ética do mundo, por ele despertar o melhor que há em mim, por acreditar nos meus sonhos, por me ouvir tagarelar por horas a fio, por sempre ter um elogio, uma palavra doce e uma brincadeira pra descontrair.
Sou grata pelos meus amigos incrivelmente fodas. Por me ensinarem na prática que não é porque estamos a volta com os 30 anos que devemos nos tornar adultos chatos, metódicos, burocráticos e beges. Por sonharem, por me deixarem participar desses sonhos e não apenas aplaudir, mas curtir junto suas vitórias. Morro de orgulho por ser amiga de pessoas com tantas nuances, com tanta profundidade...
Sou grata por estar cada vez mais próxima de uma espiritualidade natural, por ter encontrado os deuses em mim mesma, pela trilha do autoconhecimento que sigo desde o inicio da minha adolescência me render tantos frutos. Por esse conhecimento natural agregar ao meu conhecimento científico e me tornar não apenas uma mulher e um ser humano melhor, mas uma profissional mais empática e consciente. Sou grata por não ter meus olhos vendados.
Sou grata por ser um ser humano livre. Por nunca ter limitado meu corpo, meus desejos, minhas nuances e minha visão de mundo. Sou grata por ter construído meu senso ético e moral com base nas minhas próprias vivências e reflexões, e não com o que a sociedade impôs.
Sou grata por, mesmo quando tudo parece ruim, vazio e sem sentido, conseguir cantar, dançar, despertar minhas energias e voltar a encontrar a minha força. Heya!

domingo, 12 de agosto de 2012

A história sem fim



Há inúmeras formas de uma história nos tocar. A história sem fim marcou gerações de crianças, falando sobre algumas perdas e tribulações características dessa época. Algumas das possíveis interpretações são sobre infância x maturidade, vida real x fantasia, perda da inocência da infância, mas a forma como a história se apresentou pra mim foi através dos símbolos. A meu ver, a história sem fim é recheada de metáforas sobre a depressão que Bastian sente com a morte de sua mãe e as dificuldades que tem enfrentado em sua vida.

Bastian esta tendo dificuldades para aceitar a nova realidade sem sua mãe. Sonha com ela “novamente”, tem um pai contido e aparentemente distante, que “cumpre seu papel” tendo uma “conversa séria” de poucos minutos com o filho onde lhe diz “Nós dois temos responsabilidades e a morte de sua mãe não é uma desculpa para não cumprirmos os deveres. (...) Eu acho que você já tem idade o suficiente para ver que tem que descer do mundo da lua e tem que viver com os pés no chão”. Enquanto lhe cobra engajamento em diversas tarefas: aulas de equitação, participar da equipe de natação, entre outras. Ignorando a dor e a perda do filho, e seu modo de lidar com os problemas. Bastian não esquece desses conselhos, pois é um dos conflitos que vive ao longo de sua história.

A caminho do colégio, Bastian sofre bullying, que o obriga a ter que se refugiar de seus agressores em uma biblioteca. Encontra um senhor que pede que ele se retire de lá, pois não gosta de crianças, desdenha de Bastian dizendo que ali tem apenas pequenos objetos retangulares chamado livros. Bastian tem que se impor e falar sobre seu vasto conhecimento a esse respeito para conquistar o interesse desse senhor. Ainda assim, o senhor da biblioteca o provoca, dizendo que o livro que esta lendo é muito diferente de todos os livros que Bastian já leu, pois o transforma, é perigoso, não o deixará depois voltar a sua confortável posição antes de iniciar a leitura. É o suficiente pra que o garoto decida que quer ler o livro, o “pega emprestado” escondido do senhor.

Refugiado na escola, começa a ler. A história do livro se passa em Fantasia, onde os moradores estão enfrentando um problema: o NADA tem feito com que todo o mundo em que vivem simplesmente desapareça. Precisam ir até a torre de Marfim buscar ajuda da Imperatriz. Porém a Imperatriz esta sofrendo de uma doença fatal, e somente um guerreiro pode encontrar a cura, enfrentar o Nada e salvar Fantasia. Seu nome é Atreyu.

Atreyu é uma criança pouco mais velha que Bastian, e vem em resposta ao chamado das criaturas de Fantasia. Ele parte apenas com um cavalo branco, Artax, e o Aurin, um amuleto que irá guia-lo e protegê-lo.

Nesse momento, o vilão Gmork começa a persegui-lo em silêncio.

E aqui começam todos os simbolismos do filme relacionados à depressão e ao processo terapêutico de cura que Bastian esta buscando. Primeiro ele procura a cura para a Imperatriz no “Deserto das esperanças perdidas” simbolizando a desesperança característica da doença. Então procuram Morla, o ancião, o mais sábio dos seres de Fantasia. Mas para isso tem que atravessar o “Pântano da Tristeza”, um dos clímax do filme e que marcou gerações. “Todo mundo sabia que quem deixasse a tristeza dominar, afundaria no pântano”. A metáfora é clara e nem precisa de mais explicações. Seu cavalo, Artax, não consegue sobreviver à travessia no Pântano, a despeito das tentativas desesperadas de Atreyu de salvá-lo “Combata a tristeza, Artax, esta deixando a tristeza do Pântano te dominar. Você tem que tentar, não desista!!!”. Atreyu sabe que para não afundar no “pântano da tristeza” precisa ser forte e não deixar que esses sentimentos o vençam.


Em seguida, encontra Morla. Morla simboliza a apatia, um dos sintomas depressivos. Apatia é um termo psicológico para um estado de indiferença, no qual um indivíduo não responde aos estímulos da vida emocional, social ou física. Morla diz em seu discurso que para ele, não há importância quem é, o que esta acontecendo em seu mundo, que não liga para a doença da Imperatriz, e quando Atreyu suplica que lhe ajude, ou toda Fantasia será destruída, perguntando se ele não se importa com isso, Morla responde “Nem importa se nos importamos ou não”. Atreyu rebate que se ele não ajudar, irá morrer também, ao que Morla responde “Morrer ao menos seria alguma coisa...” simbolizando o total vazio que sente.

Morla ficou tanto tempo sozinho (milhares de anos), criou uma segunda presença e fala de si sempre no plural. Tem alergia à juventude.
Por fim, diz a Atreyu que ele pode buscar ajuda no Oráculo do Sul, mas o desestimula a tentar, pois fica a 15 mil quilômetros de onde estão.
O garoto tem que novamente atravessar o pântano da tristeza, sem esperanças de conseguir alcançar o Oráculo do Sul, quase é atacado por Gmork e é salvo por um dragão da sorte, Falkor.

Além de salva-lo, Falkor o limpa, cura suas feridas, escuta o garoto enquanto esta inconsciente, o ajuda a ir até o Oráculo do Sul, estimula sua jornada com palavras de incentivo. Falkor simboliza a ajuda externa que Atreyu necessita em sua jornada (contra a depressão/salvar Fantasia), talvez o terapeuta ou um amigo próximo. Atreyu diz que é bom ter novamente um amigo, e Falkor lhe diz que ele tem mais de um, e apresenta um casal de velhinhos (Gnomos?) que moram em uma árvore, e que cuidaram dele enquanto estava enfermo.

Esse casal, um cientista e uma curandeira, simbolizam duas formas distintas de lidar com a doença. A ciência e seus métodos comprovados ou a sabedoria popular, o misticismo, o senso comum. O casal discute o tempo todo sobre qual seria a melhor forma de curar o garoto. “Ele não precisa de trabalho científico, precisa das minhas poções mágicas”. O velho cientista se apresenta como “Especialista no Oráculo do Sul”.

O oráculo do Sul é especialmente simbólico. Há dois portais que Atreyu precisa atravessar antes de chegar ao Oráculo do Sul. O primeiro é o Portal das Esfinges. “Os olhos das esfinges ficam fechados até que alguém que não conhece o próprio valor tenta atravessar o portal”. A metáfora, claríssima, nos lembra que para conseguir vencer sua jornada, Atreyo precisa saber quem ele é, saber seu valor, sua própria força e confiar em si mesmo. Do contrário será literalmente destruído no caminho.

O segundo portal é, segundo as palavras do velho cientista, ainda pior que o primeiro. É o Portal do Espelho Mágico, onde a pessoa tem que se defrontar com seu Verdadeiro Eu. “Mesmo quem é bondoso, pode ver que é cruel. O corajoso pode descobrir que é covarde”. Esse portal simboliza o encontro com a própria Sombra (o arquétipo junguiano).

Em seguida Atreyo consegue chegar ao Oráculo do Sul, e descobre que para salvar Fantasia, precisa que uma criança humana dê um novo nome para a Imperatriz. Dar um novo nome simboliza um recomeço, um novo mundo, uma nova chance para Fantasia (para si mesmo).

Bastian gostaria de nomear a Imperatriz com o nome de sua mãe.
Atreyo parte com Falkor em direção às Fronteiras de Fantasia, em busca da criança humana. No caminho, passa pelo Mar das possibilidades, que ironicamente, não apresenta possibilidade alguma. Encontra apenas o Vazio, pois o Nada os alcança. Atreyo cai do dragão, perde o Aurin e encontra-se totalmente sozinho. Perde sua sorte e sua proteção, tem que lidar com seu inimigo apenas com seus próprios recursos internos.


Nesse momento, encontra o Come Pedras e seu simbólico e desolador monólogo, enquanto contempla sua força e sua derrota: “Olhe só minhas mãos, parecem ser grandes, parecem ser fortes, não é? Mas eu os perdi. Não consegui segura-los (os amigos). O Nada arrancou todos eles das minhas mãos. Eu falhei.” Nesse discurso, ele demonstra seu sentimento de Impotência. E finaliza com “Ouça...o Nada chegará a qualquer instante, eu vou ficar aqui sentado e deixar que ele me leve. Essas mãos...parecem ser muito fortes, não parecem?” Simbolizando a total desesperança.


Atreyo encontra em gravuras nas paredes toda a sua história retratada. Em seguida, se depara pela primeira vez com Gmork. O vilão o ameaça despedaça-lo. Atreyo diz que não consegue salvar Fantasia, pois não esta conseguindo achar suas fronteiras.
Gmork diz “Fantasia não tem fronteira. Cada pedaço, cada ser que existe nela é uma parte dos sonhos e da esperança da humanidade. Sendo assim, não tem fronteiras.”
Atreyo pergunta afinal, o que é o Nada? E temos a melhor e mais simbólica explicação para a depressão que já tive contato: “O Nada é o vazio que resta.”

Gmork revela que tem tentado ajudar o Nada, que se alimenta de esperanças, pois as pessoas que não tem esperanças são fáceis de serem controladas, e quem tem controle, tem poder.
Gmork representa o Adulto, a perda inevitável da fantasia. O cético, o pragmático.


Atreyo mata Gmork. Falkor ressurge com o Ourin recuperado. Mas Fantasia é destruída pelo Nada, restando apenas alguns fragmentos.
Atreyo consegue encontrar a Imperatriz, que lhe diz que todo o trabalho não foi em vão, pois ele trouxe junto de si a criança humana que pode salvar Fantasia. “Ele sofreu junto com você...ele passou por tudo que você passou...”

Em seguida clama e implora que Bastian lhe salve. O garoto vive um conflito, pois lembra que seu pai lhe recomendou que mantenha os pés no chão, não pode acreditar em fantasias, não pode interagir com esse mundo.

Mas por fim, renomeia a Imperatriz e então esta com ela em Fantasia. Não há nada ali. Apenas o vazio. Mas não o vazio do Nada, e sim um vazio que pode ser preenchido por inúmeras possibilidades. “O início é sempre escuro” ela diz.


Bastian faz seus pedidos, restaura aos poucos Fantasia, e voa em Falkor, sobrevoando um novo mundo. Vê Atreyo correndo por campos com Artax, Come Pedras e todos os seus amigos vivos, e então seu próximo pedido é reescrever sua própria história. Sobrevoa com Falkor o mundo real em que vive e enfrenta finalmente os garotos que o agrediam...

terça-feira, 3 de julho de 2012

A deusa interior - um divisor de águas

Finalmente terminei o livro A Deusa Interior...sabe, sem dúvida alguma foi um grande divisor de águas na minha vida. A Aline acha que eu deveria enveredar minha psicologia por esse caminho, eu sinto vontade disso. 




A parte final, que fala da roda das Deusas, um circulo de mulheres compartilhando suas experiências, se conhecendo...isso é um sonho pra mim! Me lembrou meu projeto do Grupo de Mulheres no CRAS...eu elaborei com todo o carinho, pensando em cada mulher que eu convidaria. Tinhamos todos os encontros agendados, eu ja tinha comprado os materiais que iriamos utilizar, estava fazendo a lista de ingredientes pros lanches das meninas, fazendo os contatos necessários, mandamos imprimir os convites em uma gráfica e iriamos entregar pessoalmente cada um deles. Não queria que fosse algo impessoal, indo pelos correios, como se elas fossem apenas mais uma...

E então, duas semanas antes de começar, eu fui mandada embora.

Enfim...

Tudo isso pra dizer que eu ando totalmente Perséfone. Foi dificil chegar a essa conclusão. Foi fácil identificar quem eu fui na minha infância (Perséfone), adolescência (100% Atena) e início da minha fase adulta (Afrodite, Afrodite, Afrodite). A grande pergunta que me seguiu durante a leitura foi "mas quem eu sou agora?"...

E ao final do livro os autores falam sobre os anseios, e eles respondem a essa pergunta.

E meu principal anseio nos últimos meses é ficar sozinha, ter o meu tempo, minhas próprias regras, o meu espaço individual, me refugiar em mim mesma...
Sabe, todas essas pressões, a idade, a formatura, ter de corresponder a todos os anseios da sociedade.

E tudo que eu queria era apenas estar comigo mesma...

Eu realmente desperto quando trabalho, viro outra, minha vida ganha um real significado, minha fé se fortalece porque eu sinto que quando trabalho no que eu quero - ajudar aos outros - eu cumpro meu papel no mundo.

E eu sei que eu estaria mais feliz se estivesse cumprindo meu papel no mundo...

Minha díade que esta totalmente desequilibrada é Perséfone - Hera - mundo avernal x realidade/poder. Todas as outras Deusas estão em harmonia e equilíbrio, são fortes na minha constituição.
Perséfone tem 28 pontos em mim, atrás apenas de Afrodite, com 29. E Hera, não tem nenhum ponto. Segundo o livro, é normal que Hera só se manifeste na segunda fase da vida da mulher...

Mas não é normal que eu não tenha nenhum pesinho no mundo físico...

Apenas divagando...

Minha resenha pra ele no SKOOB:

É um livro perigoso, pois muda o leitor pra sempre. Livro pra se ler aos poucos, pois desperta inúmeras reflexões e insights. Impossível fazer a leitura e permanecer o mesmo. 
Recomendo pra todas as mulheres, pra todas que procuram se compreender, entender seus padrões, sua personalidade. Pra todas que necessitam resgatar sua sabedoria ancestral feminina, que perderam contato consigo mesmas. Pra todas que se questionam, pra quem busca respostas e aguenta o tranco de consegui-las e de quebra vir junto um conhecimento de si poderoso, ancestral, perturbador...

Mas agora vou correr com os lobos ;)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Livro viajante - SKOOB



Quando mais nova, eu participei do book crossing, que era uma comunidade muito legal, você disponibilizava seus livros para serem livres e viajarem pelo mundo...^^ Colocava o código de rastreio nele, e quem o encontrasse, daria de cara com isso:




A idéia é libertar o livro, a pessoa encontra, registra onde foi encontrado, lê e liberta o livro novamente. Nessa modalidade, o livro não volta pra pessoa que originalmente o libertou. Ele é realmente livre...

Só que desse jeito, apegada que sou a alguns livros, eu não iria ter como disponibilizar aqueles que eu realmente gosto...

Descobri recentemente no SKOOB a comunidade do LIVRO VIAJANTE. São mais de 720 livros que estão viajando nesse momento pelo Brasil.

Funciona assim: você disponibiliza seu livro, formula suas regras (por exemplo, pra quantas pessoas ele irá viajar, quanto tempo ficará com cada pessoa...) e então ele segue pro mundo! Ao final, ele retorna pra você...recheado de histórias!

Estou impressionada como aquela comunidade realmente funciona! As pessoas realmente estão comprometidas com a ideia.

Fiquei encantada, me inscrevi pra receber alguns (você pode até mesmo escolher quando quer receber, qual sua posição na lista), e hoje coloquei pra viajar meu primeiro livro: O Silêncio dos Inocentes.

Ele seguirá para Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pará, Rio de Janeiro, Roraima, Espirito Santo e Mato Grosso do Sul.

Isso faz meus olhinhos brilharem *.*

terça-feira, 29 de maio de 2012

A influência da Internet e das redes sociais no processo de construção da identidade do indivíduo

Hoje eu terminei de dar uma entrevista para um psicólogo que esta fazendo mestrado em psicologia social aqui na PUC de SP...Pelo que eu entendi (não é o título do mestrado dele, apenas o que eu entendi da proposta), ele esta estudando a influência da internet e redes sociais no processo de construção da identidade do indivíduo. Ele era meu supervisor quando trabalhei no CRAS, e eu super me empolguei com o trabalho dele (eu ajudei ele a montar o projeto pra aprovação do mestrado), porque era um tema que eu conhecia bem, afinal, era a minha história...
Bem, acabei dando várias entrevistas pra ele...ele me mandou um arquivo com o resultado escrito de todas elas e me fez mais algumas perguntas. Achei uma reflexão bem interessante...
Primeiro ele me pediu um relato de como tudo começou, qual era o exato contexto que eu estava envolvida na época em que comecei a usar a internet...e saiu isso (meu início de história na magia):
O ano era 1.999, eu tinha 13 anos, cursava a sétima série, morava com os meus pais e meu irmão. Era uma pré-adolescente típica, vivia entre o colégio e a casa das minhas melhores amigas (que são minhas melhores amigas até hoje). A única coisa “atípica” era um problema que eu tinha desde a infância: insônia. E o meu vício por livros.

Um dia, depois de já ter lido os meus livros e os livros do meu pai, fiquei aborrecida e perguntei se não havia mais. Ele abriu o armário e tirou uma caixa onde guardava (ou escondia) seus livros da maçonaria. Folheei alguns, a maioria escrito em códigos incompreensíveis pra mim, ele tirou de lá três livros do Paulo Coelho. Um deles mudaria a minha vida.

Quando li Brida, e descobri o que o Paulo Coelho chamava de Tradição da Lua, eu senti aquele “momento em que tudo faz sentido”, eu havia descoberto meu caminho, era como se tivessem aberto as janelas e eu conseguisse ver o mundo pela primeira vez. Fiquei extasiada, havia me encontrado. Até então, nunca havia me interessado por absolutamente nenhuma fé ou religião. O problema é que o livro não trazia maiores informações, e eu não sabia o quanto daquilo era ficção ou realidade. Fiquei dois meses entre o êxtase e a angústia. Eu havia descoberto meu caminho, mas não sabia o que ele era, não sabia por onde começar, não sabia por quem ou pelo que procurar. Como meu pai é maçom e o Paulo Coelho também, na minha ingenuidade eu achei que meu pai conseguiria entrar em contato com ele e perguntar, afinal, eles eram “irmãos”. Implorava pro meu pai arranjar um meio de contato e perguntar. Um dia meu pai me deu um papel e estava escrito “Como faço para seguir a Tradição da Lua?” e a resposta logo embaixo “Procure por Wicca”.

A informação era dúbia. Wicca era, no livro, o nome da mentora de Brida. O nome de uma mulher. Perguntei onde meu pai havia encontrado aquilo, e ele respondeu “no site do Paulo Coelho” e me mostrou. Esse foi o meu primeiro contato com a internet. Naquela época o acesso a internet era por conexão discada, ou seja, só conectávamos depois da meia noite, por causa do preço dos pulsos.

A partir dali, comecei a devorar tudo sobre o assunto que encontrei. E não era muita coisa. Wiccanão era moda, não era conhecida, não havia publicações sobre o assunto em bancas de jornais, como é hoje em dia. Então o fato de ter sido custoso pra mim descobrir qual era exatamente o caminho e mais difícil ainda conseguir material, só me deixou mais e mais presa ao assunto. As madrugadas no computador desde então eram minhas.

Uma noite eu descobri uma sala de bate papo no UOL sobre bruxaria. Entrei e conheci um garoto chamado M., tinha 21 anos na época, morava no Japão. Ele me conduziu em uma conversa que durou 5 horas, e eu não me sentia mais ali. Falou sobre Deus e o Diabo, sobre yin e yang, sobre maniqueísmo, eu viajei em cada linha do que ele escrevia. Ideias totalmente inéditas pra uma garota de 13 anos. M. foi meu primeiro mentor. Entrando vários dias seguidos, eu descobri que todos os dias as mesmas pessoas frequentavam aquele lugar, e que eram amigos. M. me apresentou ao grupo dele, todos na faixa dos 18 a21 anos. Eles se tornaram uma segunda família pra mim. Como eu era a mais nova do grupo, todos eles de certa forma me adotaram. Me ensinavam muito, me indicavam livros, sites, grupos de discussão. Meus dias continuavam os mesmos, entre a escola e as minhas amigas. Mas eu passava os dias ansiosa para chegar a madrugada e poder entrar na internet e dividir tudo com eles. Nos conhecemos pessoalmente alguns meses depois, em um pic nic organizado por uma das listas de discussão que participávamos. Depois desse encontro, formamos um círculo de estudos sobre magia chamado Água da Lua (meu pai teve que assinar uma autorização e autenticar em cartório para que eu pudesse participar *risos*). Uma das pessoas desse grupo se tornou meu primeiro namorado, e é um dos meus melhores amigos até hoje.

Foi nessa época que adotei um Nick, um nome que “veio” na minha mente, eu não sabia o que significava. Fui pesquisando o significado durante anos, esse nome e tudo que ele representa eraexatamente a minha história, e foi se tornando parte da minha personalidade (ver anexo). A um ponto em que, em determinados momentos (muitos anos depois), eu era de fato a P. (meu Nick), e a S. (meu nome real) era a máscara que eu vestia pra sociedade.Tenho o mesmo Nick há 12 anos, P. Não tenho um perfil falso, já que em todas as redes que participo as pessoas me conhecem pessoalmente e há fotos minhas em todos os perfis.


Como costuma ser sua profile (página de auto-apresentação)? Você omite ou acrescentas algo sobre você?

Costumo colocar alguma citação que tenha relação à fase em que estou vivendo no momento. Pequenos trechos de músicas, poesias ou livros. Também deixo claro tudo que é importante pra mim, quais as minhas principais relações sociais, meus autores favoritos, músicos, filmes, enfim, tudo que faz parte de quem eu sou. Não omito nada, as informações estão lá para “quem tiver olhos pra ver”. Na rede eu me permito ser eu mesma, sem máscaras. Não acrescento nada, mas claro que procuro apresentar o meu melhor.

O que mais te atrai nos relacionamentos virtuais?

Atualmente nada, pois ando sem tempo pra isso. Mas o que mais me atraía quando buscava conhecer as pessoas através da internet, é que nainternet eu conhecia primeiramente o interior delas. Quem elas são, o que pensam de diversos assuntos, quais são seus gostos, hobbys, valores. Tinha tempo pra conhecer a fundo quem a pessoa realmente é, antes de conhecer a “Casca”...isso realmente me fascinava.

Como inicia uma amizade? (tem facilidade?)

Não. Não sou do tipo “aberta a novas amizades”. Tenho o mesmo grupo de amigos há mais de uma década e acredito que uma amizade demanda tempo e atenção consideráveis. Prefiro manter muito bem os que eu tenho, a ter uma rede vasta de “colegas” com os quais não interajo efetivamente.

O que muda quando vai fazer amigos face a face? (tem facilidade?)

Igualmente, não tenho facilidade. Considero-me “anti social”...Mas na verdade, eu só não faço nada que eu realmente não queira fazer. Quando alguém me convida pra um café, mesmo eu sabendo que se trata de um convite pra uma interação social e não pra um café efetivamente, eu penso “eu nem gosto de café...pra que eu iria?”. (risos) Também na internet sou anti social. Não gosto de ficar “jogando conversa fora” e nem conhecendo pessoas aleatoriamente. Quando acontece de dedicar algum tempo à alguém, é porque essa pessoa tem MUITO em comum comigo, tem uma conversa interessante e inteligente e realmente vale a pena.


O que faz nos relacionamentos virtuais que não faz nos relacionamentos cotidianos?

Sou verdadeira nas relações virtuais. Não faço o que não tenho vontade, não converso com quem não tenho vontade, me permito ser eu mesma e mostrar exatamente quem eu sou, sem me preocupar com “o que vão pensar disso”. Se eu fizesse isso nas relações cotidianas, nenhuma sobreviveria. *risos*

Como se apresenta ou responde a pergunta quem sou? (caso do Orkut).

Pelo menos a cada seis meses essa descrição muda, conforme expliquei acima. Hoje há duas frases em meu perfil do Orkut. Quem conseguir descobrir “quem eu sou” através delas, é alguém que conhece os mesmos códigos que eu. Uma delas é uma frase de uma música do John Lennon, chamada Beautiful Boy, a frase é “Life is what happens to you while you're busy making other plans” “Vida é o que acontece a você, enquanto você esta ocupado fazendo outros planos”. Acho a música inteira linda, é um pai cantando para seu filho pequeno dormir, e enquanto isso, falando sobre alguns valores, algumas expectativas. Coloquei no meu perfil porque estou passando por um período intenso de viver. Mas principalmente, é o melhor conselho que já li. Atualmente me sinto vivendo e aprendendo intensamente, e não fazendo planos. Uma outra frase que esta no perfil é o trecho de uma música da Loreena McKennitt, “O vento é preenchido por milhares de vozes, elas passam pela ponte e por mim”. Essa música, que se chama All souls night, chega a me levar às lágrimas todas as vezes que ouço. É uma oração pra mim. Fala sobre um dos mais importantes rituais da minha religião, o Samhain, o ano novo celta. E fala sobre reencontrar-se. Fala sobre imagens que sempre me perseguiram...A frase em específico que eu escolhi “O vento é preenchido por milhares de vozes, elas passam pela ponte e por mim” é porque me sinto fazendo parte do mundo, como se eu tivesse encontrado meu lugar.

Se acha diferente quando se relaciona face a face?(como? Por quê?)

Sim, sou mais tímida e mais inassertiva (estou mudando isso aos poucos). Na rede eu sei me posicionar muito bem, colocar minhas idéias e opiniões de forma clara, mesmo que vá contra a maioria. Nos relacionamentos cotidianos, costumo “ficar na minha” mais vezes, exceto no trabalho *risos.

Fale um pouco sobre estar no mundo “real” e no mundo “virtual”?

Acredito que o universo virtual não tem fronteiras, não falo sobre poder falar com uma pessoa de qualquer canto do mundo, mas poder falar sobre qualquer assunto, a qualquer hora, com a profundidade que eu quiser. Sempre vou encontrar alguém interessado nas mesmas coisas que eu. Na “vida real”, nós temos que falar de assuntos de trabalho no trabalho, de assuntos da faculdade na faculdade, e só nos momentos do tal “cafezinho” é permitido falar de qualquer outra coisa. Somos “formatados” no cotidiano a ser o que a sociedade espera naquele determinado período.

O quanto você é sincero em seus relacionamentos nas redes?

Sobre meus valores, pensamentos, interesses e idéias, sou 100% sincera.

Como as redes te ajudam ou atrapalha? (vê algum risco? Como as redes ajudam?)

As redes me ajudaram a fazer amizades e construir relacionamentos que foram importantes no processo de construção da minha identidade. Ajudaram a definir quem eu sou, quais são meus gostos, meus objetivos, o que eu espero do mundo, o que eu quero me tornar. Em um perfil, cada pessoa é um pequeno universo infinito de possibilidades. Apenas de olhar um perfil no Orkut você já consegue saber o que essa pessoa mais gosta de fazer, de ler, de comer, de ouvir, o que ela faz nas horas vagas, o que ela é profissionalmente, o que ela é em essência, como são suas relações e como elas foram construídas, quais são seus sonhos, medos, o que ela odeia, quais movimentos participa e um mundo de outras coisas. Pra quem tem curiosidade sobre o ser humano, é um prato cheio. Não há lugar melhor pra colher informações sobre alguém. O risco, pra quem se importa com isso, é a exposição demasiada.

As relações nas redes costumam resultar em encontros, face a face, sistemáticos? (quando? Por quê?)

Normalmente costumam sim. Esses encontros costumam ser organizados nas próprias comunidades virtuais, ou entre um grupo específico de amigos que se formou dentro dela.

Quais seus principais objetivos nas redes?

Atualmente? Me manter atualizada sobre os assuntos de meu interesse.

Como as redes influenciam (aram) sua identidade?

Bem, eu comecei a usar a internet e as redes virtuais quando essa identidade estava ainda em construção, quando eu buscava aprender sobre as coisas e sobre eu mesma. Também tive blogs, que na época eram diários virtuais, e o processo de escrita diário sobre as experiências que eu tinha era uma forma de reflexão, de internalizar e entender tudo aquilo. Sempre gostei muito de escrever, e na internet eu poderia também ser lida! Nisso, me tornei mais assertiva, ao menos na escrita. Na rede e nos blogs, eu falava sobre o que eu fazia, o que aprendia, sobre as minhas descobertas, o que eu não concordava, sobre as coisas engraçadas da minha família, sobre autores e livros, sobre diretores, sobre filmes. Questionava o mundo. Onde mais um adolescente tem “voz” pra isso?

Essa entrevista eu dei há quase 1 ano.

E hoje eu respondi mais duas perguntas:


Pode falar um pouco sobre a influência de “Brida” no seu processo de Identidade? (como “ela” te ajudou?) Você diz que ajudou a descobrir seu caminho – que caminho?
Brida é um livro do Paulo Coelho que conta a história de uma jovem que esta em busca de iniciar seu caminho na magia. Em um determinado momento da história, ela conhece uma Mestra que a inicia na chamada Tradição da Lua. Foi nessa Tradição da Lua que eu me encontrei, que é apenas um outro nome para Wicca, que é a versão neo-pagã da antiga religião da Deusa.
Foi um momento de despertar pra mim. Como disse anteriormente, nos meus outros relatos, foi como se o mundo fizesse sentido pela primeira vez, como olhar por uma janela que estava desde sempre trancada...e era apenas aquela realidade "sem horizontes" que eu conhecia. Onde as coisas "são assim, porque tem que ser", porque sempre foram. No caso, eu era uma menina que sequer sabia que podia existir algo além do Deus Pai Todo Poderoso, que ficava te vigiando para te punir a qualquer sinal de desobediência às suas ordens. Eu fui uma menina que cresci na chamada família "católica não praticante", mas que diz coisas pra crianças como "não faz isso porque papai do céu esta olhando". Eu não me identificava com isso. Não fazia o menor sentido pra mim um "Papai no céu" que era só amor, mas também castrador e punitivo. Um papai que via as mulheres como a origem de todo o mal na face da terra.
A Wicca foi o exato oposto de tudo isso. Uma religião que prega a sacralidade da mulher, do seu corpo, da sua liberdade. Uma religião que busca resgatar séculos de opressão da mulher pelo Patriarcado. Uma religião que deu voz às mulheres. Uma religião que me permitia ser eu mesma e que celebrava isso. O exato sentido da palavra, Religare, me religar com a minha natureza sagrada. Fazer parte do mundo, não domina-lo, apenas fazer parte de todos os ciclos da natureza.
Tudo ali, naquele livro, diante de uma garota de 13 anos que questionava a única realidade que ela conhecia.
A partir desse livro e de todo o processo que ele desencadeou, eu descobri não somente meu caminho espiritual, nascia ali também um modo de vida e de consciência política, a feminista.
Em minha conclusão eu inicio um parágrafo assim:
A história de vida de S. permitiu observar e compreender melhor como uma jovem que se diz “só mais uma” (não reconhece sua identidade) porque, segundo ela, “estava em construção”, parte para outra realidade (a realidade virtual), “um universo sem fronteiras”, em busca de sua identidade. S. luta por emancipação, para “vencer seus medos” e ...
- dentro dessa linha o que pode falar sobre como a Comunidade de relacionamento virtual te ajudou a se “libertar”? (tente lembrar como suas conversas atuaram em seu crescimento...).

No meu texto sua história com uma pré-adolescente.... e gostaria de terminar dizendo que é hoje... (o final de sua história nas comunidades virtuais é que me falta)

Esta acontecendo um processo novo agora...lembra que te falei das diferenças entre a S. e a P., e que era a P. que tomava as rédeas da vida, que era assertiva, que sabia se posicionar, etc? Bem...
No meu facebook eu não adotei mais um nick. Esta lá, meu nome e sobrenome. E antes havia várias travas, como S, eu não poderia ter "opiniões polêmicas" ou lutar por alguma causa que eu acreditasse, porque ou havia alguém a me lembrar "Você é uma psicóloga, não pode pensar assim..." ou eu mesma me cobrava um posicionamento mais neutro, afinal, eu era uma psicóloga...(risos).
Bem, não mais.
Pela primeira vez eu estou me permitindo ser eu mesma, sem nenhum recurso, nenhuma máscara para me proteger disso.
Porque eu sou mulher, bruxa, feminista, ativista pelas causas que acredito e também...psicóloga. E veja, eu só tenho a obrigação de ser "imparcial" no exercício da minha profissão, o que não é o caso em um perfil pessoal de uma rede social...
Então absolutamente tudo que eu penso e acredito, todas as causas que me movem, estão estampadas agora em meu perfil, para quem tem olhos de ver...isso me deu uma liberdade incrível, Rael.
Pela primeira vez eu não sinto mais essa diferenciação dentro de mim, eu não fico mais "invejando" meu outro lado, tão consciente, tão ativista...*rs. Porque eu consegui conciliar...
Eu sou eu, independente do ambiente em que transito agora.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

"Eu te amo como se fosse minha filha..."




A todas essas mulheres que um dia me disseram que me amavam como uma filha. 



 Sabe, eu sei que existem pessoas que inspiram nosso lado mais doce, disponível e maternal.
Também existem aquelas pessoas com as quais você se identifica, mas são tão mais jovens que você, que poderiam ser seus filhos.
E então, você diz algumas dessas frases “Você sabe que eu te amo como se fosse meu filho” “Você pode me ver como mãe” “Eu sou como uma mãe pra você” “Você é como a filha que eu nunca tive” ou inúmeras outras variações. Esse reconhecimento, especialmente se mútuo, é um desses encontros mágicos e inesperados da vida...
Mas cuidado...


Cuidado se a pessoa que você vê como um filho for órfão, ou se por algum motivo diverso, foi abandonado por sua mãe ou não teve a figura materna presente em sua vida. Cuidado...
Porque essa pessoa traz dentro de si um vazio que você jamais seria capaz de mensurar, atenuar a falta, e muito menos, curar...
Você não pode dar a ela as tranças que não foram feitas, os cafés das manhãs, o consolo depois de uma briga com a melhor amiga na escola. Você nunca poderá dar o leite quente antes de dormir, o beijo na testa que ela nunca recebeu, nem a certeza de que sua mãe saberia o que fazer. Você não pode dar os colos, as broncas, o abraço acolhedor, nem saber qual era o desenho que ela via inúmeras vezes e assistirem juntos. Você nunca nunca nunca poderá vesti-la com um vestido cor-de-rosa e laços no cabelo...mas tem uma coisa que você pode dar...e por ter esse vazio tão imenso, por ter essa chaga sempre sangrando dentro de si, essa pessoa vai acreditar em você.
Você pode dar esperança...


Acredito que essa falta seja uma dor que fica latejando para todo o sempre...confie em mim, ela não precisa de mais um abandono. E nem de outro, e nem de outro...
E eu sei, as pessoas mudam, brigam, tem opiniões diversas, seguem caminhos diferentes, se separam, tem outras prioridades na vida, e por isso talvez a relação que vocês mantenham hoje não exista mais daqui a poucos anos...
Mas se você sabe disso, se você tem alguma tendência, qualquer tendência, a ter relacionamentos efêmeros, sentimentos volúveis, ou se seu amor esta condicionado a algum fator determinante de diferença entre vocês...por favor, pode até se aproximar, ser amigo dessa pessoa, mas nunca, nunca lhe diga, que ela poderia ve-la como uma Mãe...

Porque você vai embora um dia, e a vida vai seguir seu curso sem maiores problemas. Ela também passará bem, você sabe, é tão forte, bonita, inteligente e determinada...Mas você tem ideia de como seu coração esta em pedaços? De como ela gostaria de apenas chorar. De como isso abre velhas feridas...? De como ela gostaria de voltar no tempo e ninar aquela garotinha que nunca , nunca na vida soube o que era ser acolhida?
Nesse caso em específico, tome a máxima do Pequeno Príncipe: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...
É preferível deixa-la em silêncio em seu canto, onde você a encontrou no começo, suspirar fundo e seguir adiante...do que ser tão cruel e faze-la reviver essa dor.




quinta-feira, 22 de março de 2012

8 sabbaths para bruxas - comentários aleatórios

São coisas pequeninas que me intrigaram nesse livro, porque É um clássico. Boa parte da wicca é derivada deles, da Doreen Valiente, do Gardner...

É um livro bem diferente dos livros de wicca que eu ja tinha lido. Isso porque normalmente os livros de wicca são introdutórios, explicam todos os conceitos e são compilações de diversas práticas/rituais/autores distintos. E normalmente, esse casal é citado. Meu livro favorito (Os mistérios wiccanos - Raven Grimassi) cita extensivamente o casal Farrar e foi por isso que a Lu quis me emprestar dizendo "beba da fonte"

A proposta do livro parte desse pressuposto aqui (clica que aumenta)



Pra mim fez muito sentido!

Então o livro inteiro é APENAS sobre os rituais de sabbaths e rituais de nascimento, casamento e requiem...pra essa nova fase em que estou entrando, achei interessante.

Tem invocações perfeitas...

Mas sabe quando um livro começa a contrariar coisas que você acreditava?
Pra começar, olha a capa do livro!


O sacerdote segurando o cálice e a mulher segurando o athame. O livro mesmo explica o simbolismo do athame como falo e o calice como utero, mas na benção dos alimentos, ele coloca nessa ordem. No grande rito simbólico não, a mulher segura o calice...

Olha de novo:

Outra coisa...o livro é todo adaptado para que os ritos aconteçam dentro de ambientes fechados (apenas afastando móveis!) e nao ao ar livre, rituais ao ar livre são exceção. Também recomenda que os sabbaths sejam todos LIDOS pelos sacerdotes e que haja um ensaio antes para cada um saber seu papel.

Na parte do grande rito, uma coisa que eu não sabia: que todos os demais membros saem do circulo, antes do ritual encerrar, e o sacerdote e a sacerdotisa ficam sozinhos para o ritual. Depois os membros são readmitidos no círculo.

Ensina outras coisas que eu sempre quis saber, mas só havia ouvido falar antes, como como se realiza de fato o beijo quintuplo, como passar o vinho do sacerdote pra sacerdotisa, qual é a posição exata da "mulher como altar"...tudo que o Raven Grimassi citava e fazia meus olhinhos brilharem rs...

O livro é recheado de fotos de rituais com os sacerdotes e todos os membros "vestidos de céu", inclusive com grande rito. Eu amei!