sábado, 29 de dezembro de 2012

Um Novo Ano inteirinho de possibilidades...



Sentir a conexão com a Deusa em cada um dos meus passos.
Honra-La em todas as suas faces que se mostrarem a mim, honrar meu corpo, meus ciclos, honrar a Terra. Honrar minhas irmãs, ser seu Instrumento para o redespertar de uma nova consciência.

Cuidar da minha saúde, cuidar da alimentação, não tomar mais medicamentos alopáticos desnecessários, regularizar meu ciclo, pesquisar métodos contraceptivos naturais, usar bioabsorventes.

Amar muito o Julio. :) Que nossa relação continue envolta em riso, cumplicidade, partilha de sonhos e projetos, respeito e paixão. 

Me exercitar

Ler todos os livros da minha meta de leitura e alguns outros mais.

Voltar a escrever

Cuidar direitinho da minha casa, do meu corpo e das pessoas que eu amo, pois todos são meus templos.

Aprender danças circulares

Meditar

Elaborar meu projeto para trabalhar com mulheres e colocar em prática.

Arrumar um emprego na área social, que me permita ser humana e ética. 

Se o item anterior for cumprido, iniciar uma pós graduação em Jung e Mitologia. 

Reestruturar meu altar e minha vivência espiritual.

Conhecer as meninas do grupo

Fazer parte de um círculo de mulheres.

Re-encontrar minha tribo.

Estar mais próxima dos meus ancestrais.

Arrumar um jeito de, de tempos em tempos, retornar ao mar.

Estar mais próxima de todos os meus amigos-irmãos. Ser presente na vida do Paulinho. E na vida da Larissa e da Isabelle...

Estar mais próxima do meu Pai. Fazer com que ele saiba que eu o amo mais que tudo no mundo, que sua influência na minha vida foi absolutamente determinante pra que hoje eu seja um ser humano livre.

Estar aberta e receptiva a novas amizades.

Me livrar da influência de tudo aquilo que é demasiadamente pesado, desnecessário, coisas e pessoas que não me acrescentam e ainda me sugam as energias

Não guardar absolutamente NADA que não me sirva mais, nem aos meus valores, nem aos meus propósitos.

Recortes


Outro dia uma amiga me disse que não entendia essa minha necessidade de estar entre mulheres.

Ela usou bem as palavras, é mesmo uma necessidade. Pra mim não é apenas importante, é uma necessidade vital estar entre mulheres. É primal, urgente, instintivo. Essa nossa mágica capacidade de nutrir e acolher, usada entre nós, a nosso favor, como irmãs que somos.
Curarmos e nos nutrirmos mutuamente. Resgatarmos nosso elo e nossa sabedoria perdida, esquecida, negligenciada, oprimida por tantos milênios de patriarcado.



Essa madrugada estava lendo “A tecelã: ensaios sobre a psicologia feminina extraídos dos diários de uma Analista Junguiana” e em um determinado capítulo ela fala justamente sobre isso:

“Devido a supervalorização cultural do masculino e à desvalorização do feminino, as mulheres frequentemente ficam desapontadas e são magoadas por mães que não puderam ou não quiseram amá-las, assim como podiam amar inteiramente a si próprias. Naturalmente, essas jovens mulheres se voltaram, famintas de amor, para os pais. E mais tarde, para os amigos e maridos, de modo excessivamente compensatório. Os romances dos anos 50 (...) detalham a intensa busca que as mulheres empreenderam em direção ao amor e à aceitação dos homens. As meninas crescem esperando amar, casar-se e viver felizes para sempre e nós, com certeza, tentamos fazer exatamente isso.


(...)

A amizade entre as mulheres cresceu. Ela sempre existiu, subterrânea, mas agora é posta para fora e esta aberta e conscientemente valorizada. Muitas mulheres sabem disso e confiam umas nas outras o suficiente para dizer ‘você me magoou quando...’ ou para perguntar ‘o que você quis dizer com...’ e dizer ‘estou zangada com...’ ou ‘preciso da sua ajuda para...’ ou ‘estou preocupada com...’ ou ‘estou confusa ou vulnerável’. Elas sabem que todas essas são expressões mágicas para apelar para as deusas em suas modalidades clara e escura, negativa e positiva, elementar e transformadora. Minha amiga, uma analista junguiana, tornou isso claro pra mim uma vez, ao me contar a imagem daquilo que fazíamos juntas e com nossas pacientes. Ela disse que a transferência entre as mulheres acontece quando duas de nós damos as mãos e dançamos como louca em volta de um caldeirão. Não foi exatamente isso que ela disse, mas acho que você vai compreender e aceitar o fato de eu não citá-la corretamente e dizer, em vez disso, o que eu ouvi. Isso faz parte do processo entre mulheres e irmãs. Há espaço para fundir e obscurecer os limites, agora que cada uma de nós pode manter o seu próprio centro.

Como as mulheres agora podem começar a aceitar sua irmandade subjacente e sua conexão com o Self Feminino, também podem lutar junto com uma amiga e retirar a própria sombra do processo.  As mulheres podem confiar umas nas outras e em si mesmas o bastante para mostrar suas necessidades e suas vulnerabilidades a outras mulheres e ser espelhadas e alimentadas umas pelas outras.”
Eu diria também: a curarem e serem curadas umas com as outras, nutrirem e serem nutridas...
Como a Drª Clarissa Pinkola Estés tão bem fala em seu livro Ciranda das Mulheres Sábias:


"Comadre – Em espanhol, esse termo significa algo semelhante a ‘eu sou sua mãe e ao mesmo tempo você é minha mãe’. É uma palavra usada para descrever a relação íntima entre mulheres que cuidam uma da outra, que dão ouvidos e ensinam uma à outra, de uma forma na qual a alma está sempre incluída; às vezes ela é o assunto da conversa, e às vezes é com ela diretamente que se fala.


(...)

Elas se abrilhantam e se protegem mutuamente, confiam uma na outra, consolam e orientam uma à outra no que diz respeito a tantos aspectos da vida - a vida do coração, a secreta vida interior e a vida dos seus sonhos...Seja em épocas de risadas estridentes, de tristeza atordoante, na crítica ao deslize mais recente, ao presenciar novos lançamentos ao mar aberto...(...) Todas as comadres se empenham para viver sob o abrigo umas das outras. Entre mulheres, esse é um esforço abençoado."

É por isso que eu preciso estar entre mulheres...