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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sagrado Feminino e finalmente: o círculo de mulheres!







Então eu finalmente refiz meu altar.
Com símbolos que remetem à Deusa, como o caldeirão, pedras, conchas e as imagens da Deusa. Velas representando suas 3 faces, branca pra donzela, vermelha para mãe, preta para anciã.

Cada uma dessas pedras e conchas tem uma história. Tem pedras aí da Espanha que a Rose me trouxe, outras que o Julio me trouxe durante suas viagens, essa pedra furada linda foi o Nando quem me deu, eu não canso de me perder olhando pra ela...♥ Esse círculo de conchas foi minha tia Maria quem fez, ela recolheu uma a uma cada uma dessas conchinhas...

e eu tenho uma SUPER novidade...

eu encontrei um círculo de mulheres, a Irmandade das Pedras.

E era absolutamente tudo que eu esperava de um círculo, tinha mulheres sábias de todos os caminhos, tinha xamãs, tinha psicanalistas, tinha bruxa natural, bruxas italianas.

Igualitário, acessível, inclusivo. 
Com todas participando por igual, tendo voz por igual, sendo acolhidas em seus saberes únicos!

O encontro durou 3h que eu nem vi passar...

a Aline foi junto comigo e se encontrou! Disse que vai voltar todas as vezes e que finalmente nossos caminhos se encontraram...


 Aline absolutamente encantada. Andreia ao lado.
 Christiane e Petrucia
 Pietra, Eva e Priscila
 o tema do encontro foi "oráculos"


Muito amor.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas

Comprei muitos livros nesse ultimo mês, o mais importante deles foi sem dúvida esse manual da Mirella Faur de como montar e conduzir um círculo de mulheres. E principalmente, o porquê fazer isso.
Comecei a leitura há dois dias e até agora não tem nenhuma página sequer sem um grifo de um trecho importante, sem que eu tenha parado pra anotar ideias em meu caderno...


Sobre o livro:

Em Círculos Sagrados Femininos, Mirella Faur compartilha suas experiências e amplos conhecimentos sobre a formação, condução e preservação de um círculo cerimonial vivencial. Além de suas próprias vivências com grupos de mulheres durante os últimos quinze anos, ela menciona relatos e aprendizados de outras autoras ligadas ao movimento internacional do sagrado feminino e dos vários modelos de círculos.Redigido de forma didática e permeado por orientações práticas, rituais, celebrações e meditações, esta publicação pioneira e amplamente documentada fornece um precioso material informativo para as mulheres interessadas em iniciar, ampliar ou aprofundar as vivências circulares.São apresentadas diretrizes e premissas básicas para formar e preservar um círculo sagrado, organizar reuniões, resolver problemas e conflitos, avaliar e reformular objetivos e integrar a consciência de solidariedade e parceria no cotidiano. Uma grande parte do livro aborda aspectos ritualísticos e cerimoniais, descrevendo a jornada iniciática, os “Mistérios do sangue”, arquétipos e fases lunares, a conexão com a Mãe Terra, as celebrações dos plenilúnios e das Matriarcas na lua cheia e negra e de cerimônias na Roda Sagrada
Fonte: Um Novo olhar - setas para o infinito



Alguns trechinhos inspiradores:

No início as pessoas oravam para a Criadora da Vida. No alvorecer da religião Deus era mulher' - When God Was a Women - Merlin Stone


"A real importância da Deusa é a anulação do poder dos símbolos patriarcais masculinos sobre a psique e a alma feminina". Ao longo de milênios, criados, fortalecidos e enraizados, os símbolos do Deus Pai tornaram-se argumentos e leis para inferiorizar, dominar, oprimir e até mesmo matar as mulheres.
(...)
A 'invenção' do patriarcado foi a negação do ventre materno, do seu dom de dar a vida, e a afirmação de que o Pai é o único criador. Portanto, tudo que ele faz é justo e certo, pois somente ele tem o poder. Repetida, encenada, escrita, falada e ensinada por vinte séculos, essa inverdade fundamental tornou-se a verdade aceita, devido ao temor do pecado e da punição.
(...)
As mulheres - antes separadas e divididas pelos códigos e imposições das religiões patriarcais - passaram a se reunir e se apoiar na busca de uma nova manifestação da sua espiritualidade, que celebrasse a sacralidade da terra e da mulher, reconhecesse e honrasse seus ciclos e transições, incentivasse o reconhecimento da unidade e respeitasse a vida e a coexistência de todos os seres da criação.
(...)
As mulheres que encontram e vivenciam a religião da Deusa tornam-se suas sacerdotisas e senhoras de si mesmas, não mais meras expectadoras de serviços religiosos formais e rígidos, ou simples obreiras a serviço do Senhor. A sacralidade feminina preenche os anseios da alma e nutre o psiquismo com energias positivas, permitindo a cocriação, o amplo envolvimento, participação e criatividade em diversos tipos de rituais.
(...)
Para manifestar seu poder nas nossas vidas, além das imagens e mitos, precisamos de rituais, que criam novas formas de expressão e motivação, reencenando antigas práticas e criando altares para pontos de força e atração da presença da Deusa.
(...)
Quando as mulheres estiverem plenamente conscientes do seu verdadeiro poder, elas vão poder usa-lo para se transformar e mudar o mundo ao seu redor. Em vez de direcionar o poder para competir ou dominar (poder sobre alguém), elas vão usa-lo para se tornarem poderosas, sem serem agressivas e competitivas, mas apenas utilizando seu poder interior.
(...)
A Deusa é o símbolo da cura necessária para nossa sobrevivência; da pacificação entre homens e mulheres, povos e nações; da expansão da consciência que irá garantir a renovação social, política, cultural e espiritual da humanidade. Sem precisar voltar para as estruturas e comportamentos pré-históricos, podemos usufruir da sabedoria antiga, dos cultos e rituais que honravam e celebravam a vida, a Terra, a sacralidade feminina. Precisamos apenas abrir nossa mente coração para fazer bom uso das riquezas naturais e agradecer por tudo o que a vida e a Deusa nos oferecem para nossa existência.
(...)
A reunião em círculo de pessoas que compartilham os mesmos objetivos e interesses é a maneira ancestral e sagrada de provocar transformações pessoais e coletivas.
(...)
Os círculos de mulheres resgatam e ativam a ancestral conexão com o sagrado, explorando, criando ou desenvolvendo formas específicas para expressá-la em conjunto, mas levando em consideração as visões e sugestões individuais. Os encontros proporcionam um espaço seguro, não encontrado na cultura contemporânea, para apoiar e incentivar o desenvolvimento e fortalecimento pessoal. 
(...) 
Os rituais são elaborados a partir de mitos, lendas, contos de fadas, visões, meditações, sonhos, livros ou reinterpretações de cerimônias tradicionais, adaptadas aos interesses femininos atuais. Em todas as formas de celebração, porém, deve estar sempre a reverência a uma manifestação, arquétipo ou atributo da Grande Mãe. 
(...) 

Citando a escritora Elinor Gadon, autora de The Once and Future Goddess: 'em nosso tempo e em nossa cultura, a Deusa esta se tornando novamente o símbolo do fortalecimento das mulheres, um catalisador para uma espiritualidade centrada nos valores da Terra, uma metáfora do nosso planeta visto como um organismo vivo, o arquétipo da consciência feminina, a mentora dos curadores, o emblema de um novo movimento político, uma inspiração para os artistas"

Isso porque eu ainda estou na página 100. Sem dúvida eu volto pra falar mais dele.


Rumo ao Milionésimo Círculo!

sábado, 29 de dezembro de 2012

Recortes


Outro dia uma amiga me disse que não entendia essa minha necessidade de estar entre mulheres.

Ela usou bem as palavras, é mesmo uma necessidade. Pra mim não é apenas importante, é uma necessidade vital estar entre mulheres. É primal, urgente, instintivo. Essa nossa mágica capacidade de nutrir e acolher, usada entre nós, a nosso favor, como irmãs que somos.
Curarmos e nos nutrirmos mutuamente. Resgatarmos nosso elo e nossa sabedoria perdida, esquecida, negligenciada, oprimida por tantos milênios de patriarcado.



Essa madrugada estava lendo “A tecelã: ensaios sobre a psicologia feminina extraídos dos diários de uma Analista Junguiana” e em um determinado capítulo ela fala justamente sobre isso:

“Devido a supervalorização cultural do masculino e à desvalorização do feminino, as mulheres frequentemente ficam desapontadas e são magoadas por mães que não puderam ou não quiseram amá-las, assim como podiam amar inteiramente a si próprias. Naturalmente, essas jovens mulheres se voltaram, famintas de amor, para os pais. E mais tarde, para os amigos e maridos, de modo excessivamente compensatório. Os romances dos anos 50 (...) detalham a intensa busca que as mulheres empreenderam em direção ao amor e à aceitação dos homens. As meninas crescem esperando amar, casar-se e viver felizes para sempre e nós, com certeza, tentamos fazer exatamente isso.


(...)

A amizade entre as mulheres cresceu. Ela sempre existiu, subterrânea, mas agora é posta para fora e esta aberta e conscientemente valorizada. Muitas mulheres sabem disso e confiam umas nas outras o suficiente para dizer ‘você me magoou quando...’ ou para perguntar ‘o que você quis dizer com...’ e dizer ‘estou zangada com...’ ou ‘preciso da sua ajuda para...’ ou ‘estou preocupada com...’ ou ‘estou confusa ou vulnerável’. Elas sabem que todas essas são expressões mágicas para apelar para as deusas em suas modalidades clara e escura, negativa e positiva, elementar e transformadora. Minha amiga, uma analista junguiana, tornou isso claro pra mim uma vez, ao me contar a imagem daquilo que fazíamos juntas e com nossas pacientes. Ela disse que a transferência entre as mulheres acontece quando duas de nós damos as mãos e dançamos como louca em volta de um caldeirão. Não foi exatamente isso que ela disse, mas acho que você vai compreender e aceitar o fato de eu não citá-la corretamente e dizer, em vez disso, o que eu ouvi. Isso faz parte do processo entre mulheres e irmãs. Há espaço para fundir e obscurecer os limites, agora que cada uma de nós pode manter o seu próprio centro.

Como as mulheres agora podem começar a aceitar sua irmandade subjacente e sua conexão com o Self Feminino, também podem lutar junto com uma amiga e retirar a própria sombra do processo.  As mulheres podem confiar umas nas outras e em si mesmas o bastante para mostrar suas necessidades e suas vulnerabilidades a outras mulheres e ser espelhadas e alimentadas umas pelas outras.”
Eu diria também: a curarem e serem curadas umas com as outras, nutrirem e serem nutridas...
Como a Drª Clarissa Pinkola Estés tão bem fala em seu livro Ciranda das Mulheres Sábias:


"Comadre – Em espanhol, esse termo significa algo semelhante a ‘eu sou sua mãe e ao mesmo tempo você é minha mãe’. É uma palavra usada para descrever a relação íntima entre mulheres que cuidam uma da outra, que dão ouvidos e ensinam uma à outra, de uma forma na qual a alma está sempre incluída; às vezes ela é o assunto da conversa, e às vezes é com ela diretamente que se fala.


(...)

Elas se abrilhantam e se protegem mutuamente, confiam uma na outra, consolam e orientam uma à outra no que diz respeito a tantos aspectos da vida - a vida do coração, a secreta vida interior e a vida dos seus sonhos...Seja em épocas de risadas estridentes, de tristeza atordoante, na crítica ao deslize mais recente, ao presenciar novos lançamentos ao mar aberto...(...) Todas as comadres se empenham para viver sob o abrigo umas das outras. Entre mulheres, esse é um esforço abençoado."

É por isso que eu preciso estar entre mulheres...