sábado, 29 de dezembro de 2012

Um Novo Ano inteirinho de possibilidades...



Sentir a conexão com a Deusa em cada um dos meus passos.
Honra-La em todas as suas faces que se mostrarem a mim, honrar meu corpo, meus ciclos, honrar a Terra. Honrar minhas irmãs, ser seu Instrumento para o redespertar de uma nova consciência.

Cuidar da minha saúde, cuidar da alimentação, não tomar mais medicamentos alopáticos desnecessários, regularizar meu ciclo, pesquisar métodos contraceptivos naturais, usar bioabsorventes.

Amar muito o Julio. :) Que nossa relação continue envolta em riso, cumplicidade, partilha de sonhos e projetos, respeito e paixão. 

Me exercitar

Ler todos os livros da minha meta de leitura e alguns outros mais.

Voltar a escrever

Cuidar direitinho da minha casa, do meu corpo e das pessoas que eu amo, pois todos são meus templos.

Aprender danças circulares

Meditar

Elaborar meu projeto para trabalhar com mulheres e colocar em prática.

Arrumar um emprego na área social, que me permita ser humana e ética. 

Se o item anterior for cumprido, iniciar uma pós graduação em Jung e Mitologia. 

Reestruturar meu altar e minha vivência espiritual.

Conhecer as meninas do grupo

Fazer parte de um círculo de mulheres.

Re-encontrar minha tribo.

Estar mais próxima dos meus ancestrais.

Arrumar um jeito de, de tempos em tempos, retornar ao mar.

Estar mais próxima de todos os meus amigos-irmãos. Ser presente na vida do Paulinho. E na vida da Larissa e da Isabelle...

Estar mais próxima do meu Pai. Fazer com que ele saiba que eu o amo mais que tudo no mundo, que sua influência na minha vida foi absolutamente determinante pra que hoje eu seja um ser humano livre.

Estar aberta e receptiva a novas amizades.

Me livrar da influência de tudo aquilo que é demasiadamente pesado, desnecessário, coisas e pessoas que não me acrescentam e ainda me sugam as energias

Não guardar absolutamente NADA que não me sirva mais, nem aos meus valores, nem aos meus propósitos.

Recortes


Outro dia uma amiga me disse que não entendia essa minha necessidade de estar entre mulheres.

Ela usou bem as palavras, é mesmo uma necessidade. Pra mim não é apenas importante, é uma necessidade vital estar entre mulheres. É primal, urgente, instintivo. Essa nossa mágica capacidade de nutrir e acolher, usada entre nós, a nosso favor, como irmãs que somos.
Curarmos e nos nutrirmos mutuamente. Resgatarmos nosso elo e nossa sabedoria perdida, esquecida, negligenciada, oprimida por tantos milênios de patriarcado.



Essa madrugada estava lendo “A tecelã: ensaios sobre a psicologia feminina extraídos dos diários de uma Analista Junguiana” e em um determinado capítulo ela fala justamente sobre isso:

“Devido a supervalorização cultural do masculino e à desvalorização do feminino, as mulheres frequentemente ficam desapontadas e são magoadas por mães que não puderam ou não quiseram amá-las, assim como podiam amar inteiramente a si próprias. Naturalmente, essas jovens mulheres se voltaram, famintas de amor, para os pais. E mais tarde, para os amigos e maridos, de modo excessivamente compensatório. Os romances dos anos 50 (...) detalham a intensa busca que as mulheres empreenderam em direção ao amor e à aceitação dos homens. As meninas crescem esperando amar, casar-se e viver felizes para sempre e nós, com certeza, tentamos fazer exatamente isso.


(...)

A amizade entre as mulheres cresceu. Ela sempre existiu, subterrânea, mas agora é posta para fora e esta aberta e conscientemente valorizada. Muitas mulheres sabem disso e confiam umas nas outras o suficiente para dizer ‘você me magoou quando...’ ou para perguntar ‘o que você quis dizer com...’ e dizer ‘estou zangada com...’ ou ‘preciso da sua ajuda para...’ ou ‘estou preocupada com...’ ou ‘estou confusa ou vulnerável’. Elas sabem que todas essas são expressões mágicas para apelar para as deusas em suas modalidades clara e escura, negativa e positiva, elementar e transformadora. Minha amiga, uma analista junguiana, tornou isso claro pra mim uma vez, ao me contar a imagem daquilo que fazíamos juntas e com nossas pacientes. Ela disse que a transferência entre as mulheres acontece quando duas de nós damos as mãos e dançamos como louca em volta de um caldeirão. Não foi exatamente isso que ela disse, mas acho que você vai compreender e aceitar o fato de eu não citá-la corretamente e dizer, em vez disso, o que eu ouvi. Isso faz parte do processo entre mulheres e irmãs. Há espaço para fundir e obscurecer os limites, agora que cada uma de nós pode manter o seu próprio centro.

Como as mulheres agora podem começar a aceitar sua irmandade subjacente e sua conexão com o Self Feminino, também podem lutar junto com uma amiga e retirar a própria sombra do processo.  As mulheres podem confiar umas nas outras e em si mesmas o bastante para mostrar suas necessidades e suas vulnerabilidades a outras mulheres e ser espelhadas e alimentadas umas pelas outras.”
Eu diria também: a curarem e serem curadas umas com as outras, nutrirem e serem nutridas...
Como a Drª Clarissa Pinkola Estés tão bem fala em seu livro Ciranda das Mulheres Sábias:


"Comadre – Em espanhol, esse termo significa algo semelhante a ‘eu sou sua mãe e ao mesmo tempo você é minha mãe’. É uma palavra usada para descrever a relação íntima entre mulheres que cuidam uma da outra, que dão ouvidos e ensinam uma à outra, de uma forma na qual a alma está sempre incluída; às vezes ela é o assunto da conversa, e às vezes é com ela diretamente que se fala.


(...)

Elas se abrilhantam e se protegem mutuamente, confiam uma na outra, consolam e orientam uma à outra no que diz respeito a tantos aspectos da vida - a vida do coração, a secreta vida interior e a vida dos seus sonhos...Seja em épocas de risadas estridentes, de tristeza atordoante, na crítica ao deslize mais recente, ao presenciar novos lançamentos ao mar aberto...(...) Todas as comadres se empenham para viver sob o abrigo umas das outras. Entre mulheres, esse é um esforço abençoado."

É por isso que eu preciso estar entre mulheres...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A mãe Hera


“A analista Junguiana Marion Woodman, em seu importante livro Addiction to Perfection, efetuou um estudo psicológico dessas relações destrutivas entre mãe e filha, particularmente quando se manifestam como anorexia nervosa e obesidade. Ela acertadamente considera o excesso e a insuficiência de peso sintomáticos de uma profunda chaga no que se refere à verdadeira maternidade – e que aqui chamaríamos de ausência de acalento demétrico. Escrito basicamente na perspectiva das filhas de mães-Hera, este livro é extremamente valioso para nos ajudar a entender como a vida de tantas mulheres é dirigida, quase ao ponto da possessão, por imagens maternas cheias de mágoa dentro de si.

O problema, de acordo com Woodman, é que as mães que chamamos de Heras frustradas, foram elas próprias malcuidadas por suas mães, que por sua vez foram criadas pelas mães delas, e assim sucessivamente, há várias gerações – possivelmente desde a Revolução Industrial, que tanto alienou as mulheres da terra e dos ciclos da terra. Dessa forma, mais recentemente, em vez de uma maternidade autêntica, essas mães passaram inconscientemente a transmitir para suas filhas um conjunto de normas perfeccionistas e expectativas irreais em relação às metas e ao sucesso da vida que tem pouco ou nada que ver com a descoberta da natureza feminina individual de cada uma – que poderia ser qualquer um dos arquétipos das Deusas. O que é mais trágico, essas filhas foram abandonadas para lutarem sozinhas com a profunda dor inconfessa que provém de terem sido arrancadas de sua feminilidade própria.”

A Deusa Interior – Hera.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

5 coisas pelas quais sou grata!


Porque hoje eu estava naquela vibe sem energia, e então coloquei uma musica ritualistica, e enquanto cantava e dançava, limpei a casa inteira, joguei tudo que era lixo fora, limpei armários e geladeiras, quarto e banheiro. E por fim, tomei um banho de sal grosso e saí muito leve. Quando meu amor chegou, a musica ainda rolava, ele cantou e dançou comigo...
Inspirado no 365 ideias pra viver melhor: 5 coisas pelas quais sou grata!
Sou grata por ter o namorado mais lindo, mais carinhoso, mais presente, mais especial e mais incrível do mundo. Por nossas bobeirices de todos os dias que nos fazem rir tanto, pelo abraço onde me sinto em paz e segura. Pela nossa cumplicidade única. Pela sua visão sempre sensata e sempre ética do mundo, por ele despertar o melhor que há em mim, por acreditar nos meus sonhos, por me ouvir tagarelar por horas a fio, por sempre ter um elogio, uma palavra doce e uma brincadeira pra descontrair.
Sou grata pelos meus amigos incrivelmente fodas. Por me ensinarem na prática que não é porque estamos a volta com os 30 anos que devemos nos tornar adultos chatos, metódicos, burocráticos e beges. Por sonharem, por me deixarem participar desses sonhos e não apenas aplaudir, mas curtir junto suas vitórias. Morro de orgulho por ser amiga de pessoas com tantas nuances, com tanta profundidade...
Sou grata por estar cada vez mais próxima de uma espiritualidade natural, por ter encontrado os deuses em mim mesma, pela trilha do autoconhecimento que sigo desde o inicio da minha adolescência me render tantos frutos. Por esse conhecimento natural agregar ao meu conhecimento científico e me tornar não apenas uma mulher e um ser humano melhor, mas uma profissional mais empática e consciente. Sou grata por não ter meus olhos vendados.
Sou grata por ser um ser humano livre. Por nunca ter limitado meu corpo, meus desejos, minhas nuances e minha visão de mundo. Sou grata por ter construído meu senso ético e moral com base nas minhas próprias vivências e reflexões, e não com o que a sociedade impôs.
Sou grata por, mesmo quando tudo parece ruim, vazio e sem sentido, conseguir cantar, dançar, despertar minhas energias e voltar a encontrar a minha força. Heya!

domingo, 12 de agosto de 2012

A história sem fim



Há inúmeras formas de uma história nos tocar. A história sem fim marcou gerações de crianças, falando sobre algumas perdas e tribulações características dessa época. Algumas das possíveis interpretações são sobre infância x maturidade, vida real x fantasia, perda da inocência da infância, mas a forma como a história se apresentou pra mim foi através dos símbolos. A meu ver, a história sem fim é recheada de metáforas sobre a depressão que Bastian sente com a morte de sua mãe e as dificuldades que tem enfrentado em sua vida.

Bastian esta tendo dificuldades para aceitar a nova realidade sem sua mãe. Sonha com ela “novamente”, tem um pai contido e aparentemente distante, que “cumpre seu papel” tendo uma “conversa séria” de poucos minutos com o filho onde lhe diz “Nós dois temos responsabilidades e a morte de sua mãe não é uma desculpa para não cumprirmos os deveres. (...) Eu acho que você já tem idade o suficiente para ver que tem que descer do mundo da lua e tem que viver com os pés no chão”. Enquanto lhe cobra engajamento em diversas tarefas: aulas de equitação, participar da equipe de natação, entre outras. Ignorando a dor e a perda do filho, e seu modo de lidar com os problemas. Bastian não esquece desses conselhos, pois é um dos conflitos que vive ao longo de sua história.

A caminho do colégio, Bastian sofre bullying, que o obriga a ter que se refugiar de seus agressores em uma biblioteca. Encontra um senhor que pede que ele se retire de lá, pois não gosta de crianças, desdenha de Bastian dizendo que ali tem apenas pequenos objetos retangulares chamado livros. Bastian tem que se impor e falar sobre seu vasto conhecimento a esse respeito para conquistar o interesse desse senhor. Ainda assim, o senhor da biblioteca o provoca, dizendo que o livro que esta lendo é muito diferente de todos os livros que Bastian já leu, pois o transforma, é perigoso, não o deixará depois voltar a sua confortável posição antes de iniciar a leitura. É o suficiente pra que o garoto decida que quer ler o livro, o “pega emprestado” escondido do senhor.

Refugiado na escola, começa a ler. A história do livro se passa em Fantasia, onde os moradores estão enfrentando um problema: o NADA tem feito com que todo o mundo em que vivem simplesmente desapareça. Precisam ir até a torre de Marfim buscar ajuda da Imperatriz. Porém a Imperatriz esta sofrendo de uma doença fatal, e somente um guerreiro pode encontrar a cura, enfrentar o Nada e salvar Fantasia. Seu nome é Atreyu.

Atreyu é uma criança pouco mais velha que Bastian, e vem em resposta ao chamado das criaturas de Fantasia. Ele parte apenas com um cavalo branco, Artax, e o Aurin, um amuleto que irá guia-lo e protegê-lo.

Nesse momento, o vilão Gmork começa a persegui-lo em silêncio.

E aqui começam todos os simbolismos do filme relacionados à depressão e ao processo terapêutico de cura que Bastian esta buscando. Primeiro ele procura a cura para a Imperatriz no “Deserto das esperanças perdidas” simbolizando a desesperança característica da doença. Então procuram Morla, o ancião, o mais sábio dos seres de Fantasia. Mas para isso tem que atravessar o “Pântano da Tristeza”, um dos clímax do filme e que marcou gerações. “Todo mundo sabia que quem deixasse a tristeza dominar, afundaria no pântano”. A metáfora é clara e nem precisa de mais explicações. Seu cavalo, Artax, não consegue sobreviver à travessia no Pântano, a despeito das tentativas desesperadas de Atreyu de salvá-lo “Combata a tristeza, Artax, esta deixando a tristeza do Pântano te dominar. Você tem que tentar, não desista!!!”. Atreyu sabe que para não afundar no “pântano da tristeza” precisa ser forte e não deixar que esses sentimentos o vençam.


Em seguida, encontra Morla. Morla simboliza a apatia, um dos sintomas depressivos. Apatia é um termo psicológico para um estado de indiferença, no qual um indivíduo não responde aos estímulos da vida emocional, social ou física. Morla diz em seu discurso que para ele, não há importância quem é, o que esta acontecendo em seu mundo, que não liga para a doença da Imperatriz, e quando Atreyu suplica que lhe ajude, ou toda Fantasia será destruída, perguntando se ele não se importa com isso, Morla responde “Nem importa se nos importamos ou não”. Atreyu rebate que se ele não ajudar, irá morrer também, ao que Morla responde “Morrer ao menos seria alguma coisa...” simbolizando o total vazio que sente.

Morla ficou tanto tempo sozinho (milhares de anos), criou uma segunda presença e fala de si sempre no plural. Tem alergia à juventude.
Por fim, diz a Atreyu que ele pode buscar ajuda no Oráculo do Sul, mas o desestimula a tentar, pois fica a 15 mil quilômetros de onde estão.
O garoto tem que novamente atravessar o pântano da tristeza, sem esperanças de conseguir alcançar o Oráculo do Sul, quase é atacado por Gmork e é salvo por um dragão da sorte, Falkor.

Além de salva-lo, Falkor o limpa, cura suas feridas, escuta o garoto enquanto esta inconsciente, o ajuda a ir até o Oráculo do Sul, estimula sua jornada com palavras de incentivo. Falkor simboliza a ajuda externa que Atreyu necessita em sua jornada (contra a depressão/salvar Fantasia), talvez o terapeuta ou um amigo próximo. Atreyu diz que é bom ter novamente um amigo, e Falkor lhe diz que ele tem mais de um, e apresenta um casal de velhinhos (Gnomos?) que moram em uma árvore, e que cuidaram dele enquanto estava enfermo.

Esse casal, um cientista e uma curandeira, simbolizam duas formas distintas de lidar com a doença. A ciência e seus métodos comprovados ou a sabedoria popular, o misticismo, o senso comum. O casal discute o tempo todo sobre qual seria a melhor forma de curar o garoto. “Ele não precisa de trabalho científico, precisa das minhas poções mágicas”. O velho cientista se apresenta como “Especialista no Oráculo do Sul”.

O oráculo do Sul é especialmente simbólico. Há dois portais que Atreyu precisa atravessar antes de chegar ao Oráculo do Sul. O primeiro é o Portal das Esfinges. “Os olhos das esfinges ficam fechados até que alguém que não conhece o próprio valor tenta atravessar o portal”. A metáfora, claríssima, nos lembra que para conseguir vencer sua jornada, Atreyo precisa saber quem ele é, saber seu valor, sua própria força e confiar em si mesmo. Do contrário será literalmente destruído no caminho.

O segundo portal é, segundo as palavras do velho cientista, ainda pior que o primeiro. É o Portal do Espelho Mágico, onde a pessoa tem que se defrontar com seu Verdadeiro Eu. “Mesmo quem é bondoso, pode ver que é cruel. O corajoso pode descobrir que é covarde”. Esse portal simboliza o encontro com a própria Sombra (o arquétipo junguiano).

Em seguida Atreyo consegue chegar ao Oráculo do Sul, e descobre que para salvar Fantasia, precisa que uma criança humana dê um novo nome para a Imperatriz. Dar um novo nome simboliza um recomeço, um novo mundo, uma nova chance para Fantasia (para si mesmo).

Bastian gostaria de nomear a Imperatriz com o nome de sua mãe.
Atreyo parte com Falkor em direção às Fronteiras de Fantasia, em busca da criança humana. No caminho, passa pelo Mar das possibilidades, que ironicamente, não apresenta possibilidade alguma. Encontra apenas o Vazio, pois o Nada os alcança. Atreyo cai do dragão, perde o Aurin e encontra-se totalmente sozinho. Perde sua sorte e sua proteção, tem que lidar com seu inimigo apenas com seus próprios recursos internos.


Nesse momento, encontra o Come Pedras e seu simbólico e desolador monólogo, enquanto contempla sua força e sua derrota: “Olhe só minhas mãos, parecem ser grandes, parecem ser fortes, não é? Mas eu os perdi. Não consegui segura-los (os amigos). O Nada arrancou todos eles das minhas mãos. Eu falhei.” Nesse discurso, ele demonstra seu sentimento de Impotência. E finaliza com “Ouça...o Nada chegará a qualquer instante, eu vou ficar aqui sentado e deixar que ele me leve. Essas mãos...parecem ser muito fortes, não parecem?” Simbolizando a total desesperança.


Atreyo encontra em gravuras nas paredes toda a sua história retratada. Em seguida, se depara pela primeira vez com Gmork. O vilão o ameaça despedaça-lo. Atreyo diz que não consegue salvar Fantasia, pois não esta conseguindo achar suas fronteiras.
Gmork diz “Fantasia não tem fronteira. Cada pedaço, cada ser que existe nela é uma parte dos sonhos e da esperança da humanidade. Sendo assim, não tem fronteiras.”
Atreyo pergunta afinal, o que é o Nada? E temos a melhor e mais simbólica explicação para a depressão que já tive contato: “O Nada é o vazio que resta.”

Gmork revela que tem tentado ajudar o Nada, que se alimenta de esperanças, pois as pessoas que não tem esperanças são fáceis de serem controladas, e quem tem controle, tem poder.
Gmork representa o Adulto, a perda inevitável da fantasia. O cético, o pragmático.


Atreyo mata Gmork. Falkor ressurge com o Ourin recuperado. Mas Fantasia é destruída pelo Nada, restando apenas alguns fragmentos.
Atreyo consegue encontrar a Imperatriz, que lhe diz que todo o trabalho não foi em vão, pois ele trouxe junto de si a criança humana que pode salvar Fantasia. “Ele sofreu junto com você...ele passou por tudo que você passou...”

Em seguida clama e implora que Bastian lhe salve. O garoto vive um conflito, pois lembra que seu pai lhe recomendou que mantenha os pés no chão, não pode acreditar em fantasias, não pode interagir com esse mundo.

Mas por fim, renomeia a Imperatriz e então esta com ela em Fantasia. Não há nada ali. Apenas o vazio. Mas não o vazio do Nada, e sim um vazio que pode ser preenchido por inúmeras possibilidades. “O início é sempre escuro” ela diz.


Bastian faz seus pedidos, restaura aos poucos Fantasia, e voa em Falkor, sobrevoando um novo mundo. Vê Atreyo correndo por campos com Artax, Come Pedras e todos os seus amigos vivos, e então seu próximo pedido é reescrever sua própria história. Sobrevoa com Falkor o mundo real em que vive e enfrenta finalmente os garotos que o agrediam...

terça-feira, 3 de julho de 2012

A deusa interior - um divisor de águas

Finalmente terminei o livro A Deusa Interior...sabe, sem dúvida alguma foi um grande divisor de águas na minha vida. A Aline acha que eu deveria enveredar minha psicologia por esse caminho, eu sinto vontade disso. 




A parte final, que fala da roda das Deusas, um circulo de mulheres compartilhando suas experiências, se conhecendo...isso é um sonho pra mim! Me lembrou meu projeto do Grupo de Mulheres no CRAS...eu elaborei com todo o carinho, pensando em cada mulher que eu convidaria. Tinhamos todos os encontros agendados, eu ja tinha comprado os materiais que iriamos utilizar, estava fazendo a lista de ingredientes pros lanches das meninas, fazendo os contatos necessários, mandamos imprimir os convites em uma gráfica e iriamos entregar pessoalmente cada um deles. Não queria que fosse algo impessoal, indo pelos correios, como se elas fossem apenas mais uma...

E então, duas semanas antes de começar, eu fui mandada embora.

Enfim...

Tudo isso pra dizer que eu ando totalmente Perséfone. Foi dificil chegar a essa conclusão. Foi fácil identificar quem eu fui na minha infância (Perséfone), adolescência (100% Atena) e início da minha fase adulta (Afrodite, Afrodite, Afrodite). A grande pergunta que me seguiu durante a leitura foi "mas quem eu sou agora?"...

E ao final do livro os autores falam sobre os anseios, e eles respondem a essa pergunta.

E meu principal anseio nos últimos meses é ficar sozinha, ter o meu tempo, minhas próprias regras, o meu espaço individual, me refugiar em mim mesma...
Sabe, todas essas pressões, a idade, a formatura, ter de corresponder a todos os anseios da sociedade.

E tudo que eu queria era apenas estar comigo mesma...

Eu realmente desperto quando trabalho, viro outra, minha vida ganha um real significado, minha fé se fortalece porque eu sinto que quando trabalho no que eu quero - ajudar aos outros - eu cumpro meu papel no mundo.

E eu sei que eu estaria mais feliz se estivesse cumprindo meu papel no mundo...

Minha díade que esta totalmente desequilibrada é Perséfone - Hera - mundo avernal x realidade/poder. Todas as outras Deusas estão em harmonia e equilíbrio, são fortes na minha constituição.
Perséfone tem 28 pontos em mim, atrás apenas de Afrodite, com 29. E Hera, não tem nenhum ponto. Segundo o livro, é normal que Hera só se manifeste na segunda fase da vida da mulher...

Mas não é normal que eu não tenha nenhum pesinho no mundo físico...

Apenas divagando...

Minha resenha pra ele no SKOOB:

É um livro perigoso, pois muda o leitor pra sempre. Livro pra se ler aos poucos, pois desperta inúmeras reflexões e insights. Impossível fazer a leitura e permanecer o mesmo. 
Recomendo pra todas as mulheres, pra todas que procuram se compreender, entender seus padrões, sua personalidade. Pra todas que necessitam resgatar sua sabedoria ancestral feminina, que perderam contato consigo mesmas. Pra todas que se questionam, pra quem busca respostas e aguenta o tranco de consegui-las e de quebra vir junto um conhecimento de si poderoso, ancestral, perturbador...

Mas agora vou correr com os lobos ;)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Livro viajante - SKOOB



Quando mais nova, eu participei do book crossing, que era uma comunidade muito legal, você disponibilizava seus livros para serem livres e viajarem pelo mundo...^^ Colocava o código de rastreio nele, e quem o encontrasse, daria de cara com isso:




A idéia é libertar o livro, a pessoa encontra, registra onde foi encontrado, lê e liberta o livro novamente. Nessa modalidade, o livro não volta pra pessoa que originalmente o libertou. Ele é realmente livre...

Só que desse jeito, apegada que sou a alguns livros, eu não iria ter como disponibilizar aqueles que eu realmente gosto...

Descobri recentemente no SKOOB a comunidade do LIVRO VIAJANTE. São mais de 720 livros que estão viajando nesse momento pelo Brasil.

Funciona assim: você disponibiliza seu livro, formula suas regras (por exemplo, pra quantas pessoas ele irá viajar, quanto tempo ficará com cada pessoa...) e então ele segue pro mundo! Ao final, ele retorna pra você...recheado de histórias!

Estou impressionada como aquela comunidade realmente funciona! As pessoas realmente estão comprometidas com a ideia.

Fiquei encantada, me inscrevi pra receber alguns (você pode até mesmo escolher quando quer receber, qual sua posição na lista), e hoje coloquei pra viajar meu primeiro livro: O Silêncio dos Inocentes.

Ele seguirá para Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pará, Rio de Janeiro, Roraima, Espirito Santo e Mato Grosso do Sul.

Isso faz meus olhinhos brilharem *.*